Monday, March 17, 2003

14/03/2003
Lembra daquele dia quando se vivia...
Tão bom acordar, me pegava a te buscar
Em qualquer episódio, lá estavas
Fostes réus e autores
Dos meus loucos amores
Não podia evitar...

Ao meio-dia, nas folhas dos meus livros,
a te ver me surpreendia. Saudades!
Que me levavam a tão perto, às águas,
aos desertos, em qualquer paisagem
eu te via brotar...

Três da tarde, o dia era longo
Tua voz ao telefone, me fazia acalmar
O tempo não passava, a vida rolava
A angústia aumentava
Que vontade chegar...

Ao final do dia, com pressa
Na agonia da busca,
A pressentir me pegava
Que não pudesses voltar...

Ai que medo, te perder ao destino
Sombria era a noite em que tardavas
E eu lá a tua espera, me confundia
Te incluía, não admitia
Que não pudesses notar...

Mas o tempo foi passando
A repetir as esperas, tão sentidas, sinceras,
não podias desprezar...
O coração cicatrizado, curtido, calado,
já não sabia gritar....

Então, as ausências ficaram confortáveis
O coração não sofria mais
A nossa cama foi só minha
Contigo, continuava sozinha
No meu mundo de sinais

Já não chorava, não pedia
Não brilhava, nem a ti já queria
Muito menos esperava, que escutasses meus ais... (Rio, 13.12.99 )